quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Bem vind@s!!!


Olá, este é o meu, o nosso blog. Resolvi criar este espaço para compartilhar com @s nov@s e velh@s bons amaig@s minhas vivências durante meu período sabático, iniciado em julho/2008.
Deixa eu explicar essa pequena estória para vocês.


Vamos começar pelo início. Ano sabático é muito comum lá fora. No Brasil, não é muito divulgado e praticado ainda. Em síntese, poderia dizer que é largar tudo e fazer o que você gosta durante um período da sua vida. Por exemplo, sair viajando, com pouco dinheiro no bolso, pouca roupa na bagagem e uma vontade enorme de "desbravar o mundo".


O meu ano sabático começou a ser planejado quando conheci Machu Pichu, no Peru, em julho/2006. Fiquei tão tocado por aquela viagem e pela história daquele povo guerreiro que resovi que tirari um ano sabático quando completasse 5 anos no meu atual emprego.

Então, comecei a me preparar para ficar um ano sem trabalhar, sem renda e aí tirar meu ano sabático. E tinha decidido que colocaria a mochila nas costas e cairia neste mundão de meu Deus. Iria conhecer os países da América Latina que ainda não conheço e, se o dinheiro desse, tentaria chegar na Índia e Russia, pela Transiberiana.

Estava tudo caminhando como planejado, até que em abril/2008 comprei uma passagem barata na GOL e fui visitar minha família na minha terra natal, Macapá/AP.

Feliz por reencontrar ti@s, prim@s e amig@s. Mas, extremamente triste por ver o estado de abandono em que se encontrava minha cidade. Caramba, vi em apenas dois dias muito lixo, ruas intrafegáveis de tanto buraco, esgoto a céu aberto, crianças "jogadas" nas ruas em horário escolar. E pior de tudo, foi ver a apatia dos moradores com aquela situação, como se tudo estivesse funcionando a mil maravilhas.

Voltei para Brasília, onde moro, muito pensativo. Daí, na semana seguinte, dois amigos que estão no exterior me falaram que estavam indo fazer trabalho voluntário. Um iria para o Timor Leste e outro para o Haiti. Fiquei com aquilo na cabeça e então decidi que dedicaria meu ano sabático a trabalho voluntário, uma coisa que sempre fiz e que gosto muito.

Bom, a partir daí, era definir onde, o que, para quem, como fazer, porque quando iniciar eu já sabia: julho/2008. Aí lembrei daquela música do Caetano Veloso que diz que o Haiti é aqui. E o aqui para mim, era lá em Macapá, diante do que tinha visto. Pronto, o onde já estava respondido também.

Bem, aí agora era definir o que fazer. Tinha muito claro que teria que ser algo que eu gostasse muito. Sabe aquela estória de quando você tem que escrever algo ou fazer um trabalho, monografia, mestrado, doutorado. E que todos os professores te dizem para você escolher um tema que você goste. Pois é, para mim era mesma coisa. Então escolhi fazer algo que envolvesse muita cultura e cidadania. Só que tudo junto.

Aí comecei a fuçar na internet, relembrar das minhas viagens, das coisas legais que acontecem aqui em Brasília. Enfim, depois de meditar um bocado, dormir apenas 4 horas por dia, achei o que eu queria. Montaria espaços contendo, pelo menos, um dos seguintes itens: biblioteca comunitária, telecentro, videoteca, brinquedoteca, sala de oficinas e horta comunitária. A isso chamo de Casa de Cultura e Cidadania, depois de ler um artigo da filósofa Marilena Chauí.

Os beneficiários dessas Casas serão os mais excluídos de nossa sociedade, no meu entendimento, que são as populações tradicionais, os povos originários, que vivem no interior do Estado. São quilombolas, indígenas, assentados da reforma agrária, pescadores, extrativistas, ribeirinhos. É para eles e elas que dedicarei minhas energias, meus pensamentos e, principalmente, o melhor de mim nos próximos 3 anos, no mínimo.

Enfim, no final de tudo ficou assim :

Onde: Amapá
O que: Casas de Cultura e Cidadania : são espaços contendo, pelo menos, um dos seguintes itens: biblioteca comunitária, telecentro, videoteca, brinquedoteca, sala de oficinas e horta comunitária.
Para quem: os excluídos do interior do Estado do Amapá (assentados da reforma agrária, quilombolas, populações tradicionais, extrativistas, pescadores, reibeirinhos)
Como : através de uma ONG (NossaCasa de Cultura e Cidadania – www.nossacasaap.com.br) e de uma Produtora Cultural (Jonas Banhos Produções de Raiz - http://jonasbanhos.blogspot.com/)
Quando: a partir de julho/2008.


"O fruto do silêncio é a oração. O fruto da oração é a fé. O fruto da fé é o amor. O fruto do amor é a assistência aos demais. O fruto da assistência aos demais é a paz". Madre Teresa de Calcutá

3 comentários:

Theo disse...

Demais seu texto, vou acompanhar cada postagem. Abraços amigo.

Randerson Lobato disse...

Construir cultura com um cara que nem vc é mais que um prazer, na verdade deveria ser dever de todos! Fiquei muito feliz em conhece-lo! Espero que mais dias eu possa ver a Arca passar pela UNIFAP!
Ahh! Vc viu o post no meu blog.. ficará lembrando pra sempre no meu por lá! ;)
Abraços companheiro!

Jorge Ramiro disse...

Eu nao sabia que havia mochileiros voluntários. No outro día comi em um dos restaurantes em sao paulo com alguns amigos que conheci na minha última viagem.